Diário literário #3

Último diário literário do ano. Passou voando, que medo. Aqui estão as minhas leituras de Junho e Julho. (Gente, que atrasada, né? Já estamos em Novembro), mas olha só o que teve:

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10. Assassinato no Expresso Oriente – Agatha Christie
Terceiro livro que li da diva maravilhosa Agatha Christie e amei mais uma vez. A história é do tipo que prende o leitor e surpreende da melhor maneira no final. Está decidido, estou apaixonada por romances policias e por Hercule Poirot.
Como nos outros livros, os personagens são jogados todos logo nos primeiros capítulos e você fica meio perdido tentando decifrá-los. Mas não acho isso ruim, não. A trama vai crescendo e tomando um novo sentido e os personagens que pareciam insignificantes vão ficando cada vez mais profundos.
E para ficar ainda melhor, foi o primeiro livro que li no Kindle que ganhei da mamãe no meu aniversário em Maio. Amor sincero, amor verdadeiro. ❤

11. Cidades de Papel – John Green
Hum, falar de John Green não é tão fácil assim.
Porque eu adoro o John Green, a pessoa, o canal no youtube e tudo mais. Chorei litros em “A culpa é das estrelas” e já reli mais 2 vezes desde então. Adorei.
Mas daí resolvi ler “Quem é você, Alasca” e achei até que legal, porém nada inovador. Então tentei dar uma chance para “Cidades de Papel” e simplesmente achei que é a mesma história, de novo, e de novo, e de novo.
Menino nerd que se apaixona por garota misteriosa e problemática. Ele tenta desesperadamente salvá-la dos seus problemas mas falha e percebe que ela não precisava de sua ajuda e no fim acaba descobrindo que salvou a si mesmo. Um pouco de humor. Uma pitada de ironia. Pronto. Acabou. 😦
Tem algum outro livro dele que não tenha essa fórmula pronta? Comentem aí indicações, migos. Me ajudem a amar John Green.

12. Três Contos – Gustave Flaubert
Queria ler Madame Bovary, mas comprei Três Contos baratinho no Bota Fora da Cosac. E gostei muito. Essa edição tem um prefácio muito batuta e uma seleção de trechos de cartas escritas pelo próprio Flaubert, o que deixa a leitura muito mais compreensível e rica para ~iniciantes~ como eu.
O conto que eu mais gostei foi Herodíade, provavelmente por ter um enredo mais concreto. Mas depois de pesquisar sobre o livro e buscar entender melhor cada história, é quase impossível não compadecer-se com a vida simples e sofrida de Félicité, do conto Um Coração Simples, que então virou minha favorita

13. Eu quero ser eu – Clara Averbuck
O primeiro juvenil de Clara e o primeiro livro dela que li. A história vai bem em tentar quebrar os estereótipos e empoderar as meninas. É curtinho e tem um leitura gostosa para o público, mas achei que ele continuando girando em torno dos mesmos clichês adolescentes de sempre. A Ira, personagem principal, tenta o tempo todo não pertencer a nenhum grupo que cansa vê-la precisar sempre afirmar a todos, e principalmente a si mesma, que é diferente.
Mesmo assim, se você tem uma filha, amiga, irmã, sobrinha, conhecida ou vizinha na adolescência, provavelmente vai agregar muito mais a presenteando com “Eu quero ser eu” do que com romances como “Diário de Princesa”, por exemplo.

E assim que acabou o meu primeiro semestre literário de 2015. Depois de Julho eu parei as “leituras normais” para focar no universo Fuvest (sim, quero fazer faculdade de novo, mas é assunto para o futuro). Pretendo voltar ainda esse ano contando sobre as leituras obrigatórias do vestibular e com o apanhado de obras infantis que comprei/li esse ano. Oremos para eu conseguir cumprir essa meta.

Me contem, como está o ano literário de vocês até agora?
Um beijo. 🙂

Avance cinco casas

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Todo mundo passa por um momento ‘e agora?’. Uma imposição pessoal para saber para que lado andar num grande tabuleiro em que a vida te tomou os dados e você precisa fazer a próxima jogada com as próprias pernas.

E agora, avance cinco casas?
E agora, volte duas casas?
E agora, fique onde está por mais uma rodada?

Quando você perde as 36 combinações possíveis dos dados, não sabe mais como calcular a probabilidade de fazer a jogada certa. Daí tudo fica nublado e tudo fica claro. Nublado fica a frente, numa garoa tão densa que prega os olhos e não permite saber onde pisar. Claro fica atrás, para onde mesmo que se queira muito, não há como voltar.

Ali está o ‘e agora’ que te prende momentaneamente no mesmo quadrado. E giram a roleta. E mais gente vem jogando atrás. E começam a te empurrar. E você vai para neblina com os olhos abertos.

De olhos pregados, nada se vê mesmo, então ande suas casas e deixa o ‘e agora’ para lá.

4 motivos para se apaixonar pelos cachos

Há pouco mais ano e meio, eu parei de alisar os cabelos e estou no processo de libertação dos cachos. Agora em junho fez um ano que eu contei sobre assumir meu cabelo natural aqui no blog, lembra? E sim, ainda estou em transição entre o liso e o enrolado. Esta experiência é um misto de momento “mais terrível da vida” com “busca por mais autoconfiança”.

Eu cometi vários erros nesse tempo e ainda problematizo MUITO o meu cabelo. Estou sempre achando um novo defeito nos cachinhos e um novo motivo para fazer escova. Por isso, resolvi listar algumas razões para amar mais meu cabelo cacheado, como incentivo para eu mesma, hehe, e, quem sabe, empoderar outras pessoas que também estão passando por esse período de trevas.

  1. Descobrir minha própria identidade

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SIM! Quando comecei a transição, eu achava que isso era a maior baboseira dos blogs de cacheadas. Afinal, eu tinha minha identidade quando era alisada, não é mesmo? Mas é verdade, gente. Trazer meus cachos de volta me ensinou muito sobre mim. Na fase de transição entre o liso e o enrolado o autoconhecimento é intenso, você precisa aprender a se amar pelo que é e tentar se libertar, o tempo todo, dos padrões de beleza impostos. Cachos = liberdade. Sim, senhor!

Passar pela transição é mudar de vida. Juro.

  1. Versatilidade

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Hoje estou escovada, amanhã de cachos com volume e no dia seguinte com cachos bem definidos. Fora todos os lenços, presilhas e tiaras que NUNCA fizeram parte da minha vida quando alisada. Tudo pega, tudo funciona e tudo vai bem quando seu cabelo é cacheado. Praia, chuva, piscina e banheira nunca mais vão ser preocupação ou empecilho.

  1. Sororidade

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Pessoas vão dizer: “seu cabelo em transição está horrível, jamais vai voltar a ser bonito como antes”. Ou “você é louca, eu jamais conseguiria passar por isso”. Ou “cabelo cacheado é bonito, MAS não para mim”. Ou “cabelo cacheado dá tanto trabalho, né?”. Quando estiver precisando de apoio de verdade, segura nas mãos das amigas cacheadas e vai! Grupos do Facebook como Cacheadas em Transição ou Amigas Onduladas (são os que eu acompanho) e os blogs e canais das cacheadas estão sempre prontos para responder um desabafo, dúvida, dar dicas e compartilhar cuidados com os cachos. As cacheadas são muito unidas e sempre ajudam umas as outras.

Ter vontade de abraçar uma amiga cacheada no metrô quando percebe que ela também está em transição e falar: miga, eu entendo sua dor. Quem nunca?

  1. Conhecer o seu cabelo

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Quando passamos pela transição finalmente descobrimos como é o nosso cabelo e entendemos o que ele gosta/precisa. Hidratação para mim era um PARTO quando alisava, eu odiava ficar 30 minutos com produto no cabelo. Hoje até durmo a noite toda com óleo de coco nos cachos. A transição capilar também é aprender a amar o seu cabelo e ter vontade de cuidar dele com muito carinho.

Viu? Depois de escrever esse texto vou ali tacar água nessa escova e abraçar os meus cachos. Mentira, ainda preciso de mais incentivo, amigas cacheadas mandem orações e energia positivas, sim? o/

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Transição dramática

Hoje eu acordei com a certeza de que o presente sempre carrega mais drama que o passado. Os dilemas da adolescência visto daqui da fase jovem-adulta parecem tão mais simples que chegam a ser nostálgicos.

Esse martírio imenso da fase de transição para o adulto só é martírio porque não se sabe esperar. Porque não se sabe lidar com a instabilidade.

Mas isso lá se aprende um dia?

Não sei. Minha visão também é daqui, da fase jovem-adulta.

Só sei que os problemas parecem tão maiores porque estamos vivendo isso no agora. Daqui 5 anos vamos achar todo esse dilema um grande exagero. E novos dilemas virão.

Mas quer saber, eu gosto de não saber. Não saber o que fazer com a vida e poder testar todas as oportunidades. O que me acalma é que se nada der certo, no fim, alguma coisa sempre dá, né?

Espero que sim. A gente só precisa continuar avançando.

Mas se nada curar essa deprê, pode apelar para a Jout Jout:

Diário Literário #2

Continuando com os lidos desse ano, vem ver o que passou pela minha cabeceira em Abril e Maio:

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5. Trash – Andy Mulligan
Minha melhor aquisição do Bota Fora da Cosac Naif. Conta a história de como meninos do lixão se tornaram peça chave no desenrolar de um crime e na descoberta de um político corrupto. Na atual situação política brasileira essa pequena sinopse pode deixar qualquer reacionário vidrado. Para mim, foi bem ao contrário, muito além da corrupção e sobre fazer justiça, o livro marca muito mais pelas questões sociais e pela injustiça. É sobre maldade, ganância, poder, preconceito e sobre escancarar a situação da miséria e desigualdade.

6. E não sobrou nenhum – Agatha Christie
Deus abençoe os romances policiais e Agatha Christie. Como não amar?
10 pessoas aleatórias são convidadas de forma misteriosa para uma ilha, cada uma por um motivo diferente. Mas entre eles há um assassino justiceiro que vai se livrando de um a um, até não sobrar nenhum deles. Qual deles é o assassino? Qual o motivo da matança? Qual a ligação dessas pessoas? Tudo é verdade ou mentira? Tem como uma história assim dar errado? Não tem, não. Pode ler que é bom demais.

7. Um dia – David Nicholls
O livro é sobre a relação de Emma Morley e Dexter Mayhem, narrando flashs da vida deles em todos os dias 15 de Julho, durante 20 anos. Resolvi reler Um Dia este ano porque achei que ia casar bem com a minha atual fase de recém-formada-sem-a-menor-ideia-do-que-fazer-com-a-vida. E estava certa. Se você tem vinte e poucos, o livro é um abraço para corações ansiosos sobre o futuro.
A melhor coisa é poder acompanhar o amadurecimento dos personagens, com todos os altos e baixos, esperanças e decepções, alegrias e tristezas da vida. Sei que posso reler esse livro aos 30 e aos 40 novamente e vou ter uma sensação boa de que a vida é linda, mesmo com tudo que acontece. Dex e Em, Em e Dex. Ah…. que coisa mais maravilhosa.

8. Coração apertado – Marie Ndiaye
Falar desse livro é extremamente complicado. Porque é muito difícil formar uma opinião sobre ele. Conta a história da professora infantil Nadia e do seu marido Ange que começam a ser hostilizados sem nenhuma razão aparente. No começo você acha que a professora é uma vítima, no meio parece que ela é culpada e merece tudo que passa e no fim você acha tudo muito esquizofrênico.
A narração é devastadora, é possível sentir cheiros e coisas horríveis que acontecem, quando tudo está nublado você vê tudo nublado e quando o ambiente é pérfido você também sente na pele. Do começo ao fim o livro, na minha humilde opinião, não teve outro sentimento, se não o do coração apertado.

9. A herdeira – Kiera Cass
Mais um livro da série A Seleção. Até gostei de ler os primeiros três livros, apesar da história ser bem rasa. Desde o começo a autora tenta misturar um conto de fadas com uma distopia e só o que eu tenho a dizer é: miga, apenas pare. 😦
Falando sobre A Herdeira, eu gostei muito da construção da personagem. Ela é uma princesa forte e independente, que tem alguns diálogos cheios de empoderamento para as jovens leitoras.
MAS, uma personagem que tinha tudo para ser boa é transformada em uma grande bitch, mimada e bem egoísta. E fica tudo chato de ler, sabe?
Parece que a Kiera Cass desistiu de estragar as distopias e agora está tentando estragar o feminismo. Eu ainda fico me perguntando porque ela não preferiu fazer só um romance adolescente, que é a única coisa boa de tudo.

E vocês, o que estão lendo? 🙂

Eu sou irmã dele, sabia?

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Um dos momentos mais marcantes do vídeo do meu nascimento é quando meu irmão diz firme, anunciando ao mundo como quem quer deixar registrado: “eu sou irmão dela, sabia?”.

Naquele dia na maternidade, ele já se mostrava pronto para amar e cuidar. Exatamente como precisou fazer.

Se tem uma coisa que eu aprendi é que na vida as coisas acontecem como devem ser. Eu nasci exatamente uma semana antes do meu irmão completar nove anos. Já pensou se minha mãe tivesse tido um filho em qualquer momento antes disso?

Ninguém tomaria minha lição do colégio e daria CDs do Iron Maiden para uma menina de oito anos. Ninguém ia oferecer uma mesada de R$ 10,00 se eu lesse um livro por mês. Ninguém ia me cobrir antes de dormir ou deixar fotos minhas no armário da república da faculdade.

Ninguém ia ganhar meu respeito sem precisar ordenar. Ninguém ia ganhar minha admiração sem precisar se esforçar. Ninguém ia ser o melhor homem do mundo sem precisar ser.

Ninguém seria como nós. Já que foram os quase exatos nove anos de diferença que nos fez assim.

Diário Literário #1

Uma das minhas metas para esse ano era registrar todos os livros assim que acabo de ler. Em 2014, os livros me escaparam pela memória e em dezembro eu já não tinha mais certeza do que tinha lido durante o ano e se tinha gostado ou não. Agora, toda vez que termino um livro, tiro um foto, escrevo um pouquinho sobre o que achei e guardo tudo no Evernote para não perder. Hehehe. E, assim, quando juntar um apanhado de três ou quatro livros, sempre venho aqui e compartilho meu diário literário com vocês. Vamos aos primeiros, o que teve em janeiro, fevereiro e março:

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1. Mentirosos – E. Lockhart 
O meu 2015 começou com Mentirosos, que bombou ano passado nos blogs e canais literários que eu acompanho e é um livro de suspense infanto-juvenil. Todo mundo falou que o quanto menos você soubesse da história, melhor seria a leitura e foi o que eu fiz. Não tinha lido quase nada sobre o livro, mas já tinha sacado o fim na metade. Pelo menos uma parte importante dele.
Mesmo assim, é intrigante e envolvente como um livro de suspense deve ser e você não consegue parar de ler até desvendar todo o mistério. Li em duas idas ao trabalho no transporte público e fiquei vidrada. Fiquei tão inquieta que minha vontade era parar de trabalhar e só ler, ler e ler, até o fim.Gostei muito, mas daria nota 4,75 só porque me prometeram um mistério mais difícil de desvendar do que realmente foi. Mesmo assim: leiam! Aposto que se, como eu, você já entender durante a leitura o que virá no fim (fez sentido? me esforçando aqui para não dar spoiler, haha), tenho certeza que ainda será muito surpreendente.

2. O Bicho-da-Seda – Robert Galbraith (J.K. Rowling)
Ano passado entrei em uma onda de romances policiais e – como todo mundo – estou apaixonada. Robert Galbraith é pseudônimo de J.K. Rowling e essa diva não erra nunca. Li O Chamado do Cuco e estava aguardando ansiosamente pela volta do detetive Comoran Strike. E ah… adorei mais uma vez. O crime em O Bicho-da-Seda se passa dentro do mercado literário e é muito mais intenso e brutal do que o primeiro livro. Mais uma vez, estou louca pela próximas histórias de Robert Galbraith.

3. Fangirl – Rainbow Rowell
Eu realmente gostei muito de Eleanor & Park e ouvi falar muito bem sobre Fangirl. Mas fiquei super decepcionada. Apesar de falar sobre fanfictions, algo ~diferente~ com potencial de fazer uma boa trama, achei tudo bem ralo, muito óbvio, cheio de estereótipos e clichês. Nada de novo do universo juvenil, menina estranha que na verdade é bonita, mas solitária, nerd e sem amigos, que ~se liberta~ quando encontra a felicidade do grande amor e das verdadeiras amizades descoladas. Depois desse desabafo, devo dizer que o livro é fofo, leve e até divertido de ler, se você curte linguagem e temas juvenis. Mas é só. Fora que não quero nunca mais, Deus me livre, ler outra coisa da editora Novo Século, que tradução vergonhosa, meus amigos…

4. O presente do meu grande amor
Queria ter lido esse livro na época de natal, mas só peguei no fim de março. São 12 contos natalinos, escritos por 12 autores diferentes. Tem histórias boas e super gostosas, outras nem tanto. Mas adoro coletâneas por isso mesmo. Variedade de estilos. Dos contos que eu mais gostei estão os que têm mágica e encantamentos envolvidos, caso de “A garota que despertou o sonhador” e “A dama e a raposa”. Outros que adorei são os de YA feitos com linguagem e personagens interessantes como, “Bem-vindo a Christmas, Califórnia”, “Anjos na neve” e “Estrela de Belém”. Já os outros são mais óbvios e clichês com os milagres natalinos adolescentes, como “Meias-noites”, da Rainbow Rowell (mais uma vez me fazendo não querer ler mais nada dela). Algo bem legal no livro é a diversidade, tem personagens gays, negros, pobres e marginalizados, além de trazer as comemorações de fim de ano em outras religiões. Ponto positivo.

Também já leu algum desses? Me conta o que achou. Um beijo.