Alessia Cara me faz querer ter 17 anos

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Enquanto escuto Overdose, batendo os pés embaixo da minha mesa de trabalho e balanço a cabeça para lá e pra cá de forma contida, penso em como queria ter novamente 17 anos e estar no meu antigo quarto, em uma tarde de quinta-feira, às 16h48, cantando alto e loucamente as músicas de Alessia Cara.

A cantora e compositora canadense de só 19 anos iniciou sua carreira como a maioria das jovens com boa voz começam hoje, gravando covers e postanto no Youtube. Ela foi achada por uma gravadora e lançou seu primeiro álbum no ano passado. E o que eu mais gosto na Alessia é como ela consegue traduzir, de forma sensível e com maturidade, a montanha-russa de sentimentos confusos dos adolescentes, que eu, até mesmo com meus poucos 23 anos e muito esforço, ainda não consigo descrever. A mais famosa dela, Here, está fazendo sucesso e você já deve ter ouvido por aí.

Quando eu era adolescente, a maioria das coisas que encontrávamos na internet, na música e na televisão (alô, Disney Chanel), mostravam que ser legal era ser uma menina popular e que ser popular era ser considerada – pelos meninos – a menina mais bonita da escola. O resto era nadinha.

Hoje me sinto um pouco aliviada de saber que as meninas podem ter alguém como Alessia, uma jovem forte, confiante, linda e cheia de identidade para tirar um pouquinho desse peso de ser perfeita dos ombros. Ela usa sua voz linda e maravilhosa para entregar músicas que tenham boas mensagens, veio para inspirar e empoderar as que são chamadas de esquisitas, antissociais, deslocadas e fora dos padrões. E todas as músicas do álbum são tão boas de ouvir que ainda não decidi se minha favorita é Wild Things, Overdose ou Scars to Your Beautiful. Mas gente, como decidir, dá uma olhada nesse trecho incrível:

“Let me be your mirror, help you see a little bit clearer
The light that shine’s within
There’s a hope that’s waiting for you in the dark
You should know you’re beautiful just the way you are
And you don’t have to change a thing
The world could change its heart
No scars to your beautiful
we’re stars and we’re beautiful”
Scars to Your Beautiful – Alessia Cara

Hoje eu queria poder voltar aos 17 anos para ouvir um pouquinho de Alessia Cara no meu quarto. Mas enquanto ainda não inventam a máquina do tempo (pra quê essa demora toda, gente?) eu fico aqui me segurando pra não cantar alto (e de forma nostálgica) Now I wish I could freeze the time at seventeen no meu ambiente de trabalho. Nem sempre dá certo. Mals ae, colegas.

Pra ouvir e acompanhar e amar Alessia Cara:
Instagram: https://www.instagram.com/alessiasmusic/
Youtube: https://www.youtube.com/user/alealeluia
Spotify: https://open.spotify.com/artist/2wUjUUtkb5lvLKcGKsKqsR

*Imagem: Rolling Stone

Boa noite, Segunda.

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Cheguei esbaforida, como sempre, por causa dos quatro lances de escada. Tomei um banho morno. Daqueles gostosos, nem quente, nem frio, como uma noite de um verão que insiste em não acabar em São Paulo pede.

Dei uma última olhada no celular, tomei um copo d’água e fui pra cama. Mais uma vez deitei com a cabeça no travesseiro desejando que você estivesse ali
comigo.

Olhei para o escuro sozinha. A única que estava lá era a Segunda que ia embora quietinha com todo o desprezo que o mundo tem por ela e com a promessa de voltar com um humor melhor na semana que vem.

Boa noite, Segunda. – Eu disse.
Ela optou por permanecer silenciosa.

Imagem: Jenny Yu

Resenha: Por Lugares Incríveis

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Quando vi que o Goodreads descrevia Por Lugares Incríveis como “o encontro de A Culpa é das Estrelas com Eleanor and Park” achei meio desanimador. Outro YA tentando ser profundo, até quando?

Mas depois de acabar a leitura, eu só queria gritar ao mundo: NÃO É NADA DISSO. NÃO ACREDITEM NELES, NÃO! Tudo isso enquanto chorava loucamente e tentava juntar todos os meus pedaços que ficaram quebrados.

Qualquer sinopse que tente fazer sobre a história vai soar meio clichê. Até porque o enredo parece meio xurumelas mesmo. Mas resumindo, são dois adolescentes, Theodore Finch e Violet Markey, que têm tendências suicidas e se encontram no alto da torre da escola em um momento em que ambos estavam pensando em se jogar. Um ajuda o outro a sair da beira do abismo. A partir daí, vão se envolvendo cada vez mais enquanto fazem um trabalho de Geografia juntos.

Nos primeiros capítulos, tive medo que o transtorno de Theodore fosse romantizado e ele virasse um “manic pixie dream boy”, o que passou beeeem perto. Mas ele se transforma em alguém tão marcante que é quase impossível não se apaixonar. Sua característica mais real, para mim, é a de conseguir omitir de toda sua confusão, depressão e transtorno de todos à sua volta. Ele faz de tudo para o ser o cara esquisito, o encrenqueiro, o garoto problema, o estranho e prefere ser assim a ser rotulado como o garoto depressivo, bipolar ou seja lá qual doença vão dizer que ele tem.

Violet me incomoda um pouco. No começo, eu subestimei sua dor porque ela não queria ser ajudada e isso foi chato. Mas depois entendi que meu sentimento pela personagem era só porque eu achava que o Finch precisava de muito mais ajuda que ela. Enquanto ela tinha todo amor, estrutura, dinheiro, popularidade e compreensão, ele não tinha nada. Ela me surpreende positivamente no fim, quando se mostra uma garota forte que consegue sair do fundo do poço com suas próprias pernas.

Apesar de ter adorado o livro, algumas coisas me incomodaram. A primeira foi a repetição do padrão de unir “pessoa popular + pessoa que sofre bullying”. Os estereótipos do adolescente tipicamente americano continuam os mesmos e eu continuo me perguntando se todas as escolas nos EUA realmente são um espelho do filme Meninas Malvadas. A segunda foi a falta de representatividade, tem um “melhor amigo negro” que é um personagem vazio e ainda por cima reforça a ideia do cara negro fodão que transa com todas. 😦

O livro é narrado em primeira pessoa. O que faz sentido aqui porque parece que a intenção é dar veracidade ao que pessoas com transtornos psicológicos sentem. Não é autoajuda, a autora quer mostrar como é essa pessoa por dentro e não como é a sua doença. O que deixa tudo ainda mais triste.

É um YA sincero e que trata de assuntos necessários para adolescentes da forma mais acessível e verdadeira possível. Jennifer Niven escreveu lindamente bem. O ano ainda só esta começando, mas tenho a sensação que já li o que pode ser o meu YA favorito de 2016.

No fim da leitura, como disse, eu estava quebrada e parecia uma maluca chorando desesperadamente no ônibus. Mas, citando uma das frases que mais gostei, me fez ficar ainda mais forte.

“O mundo quebra a cada um deles e eles ficam mais fortes nos lugares quebrados.”

[SPOILERS ON]
Adorei muito o livro, mas uma coisa me deixou um pouco frustrada. Violet consegue superar seus problemas e se reerguer através do jeito impulsivo e maníaco de Theodore. Porque era exatamente o que ela precisava. Alguém que a chacoalhasse e a fizesse sentir o que é “viver”. Mas também é exatamente o oposto do que ele necessita. Ou seja, ele só vai se afundando mais e mais na sua bipolaridade e depressão.

Quando Finch fica mais próximo do seu suicídio, ele perde sua voz no livro. Eu entendo que ele está entrando em um de seus apagões e a cabeça dele fica tão confusa ao ponto de sua narrativa ficar silenciosa e muda. Mas nós leitores ficamos pedindo mais, queremos entrar junto com Finch no seu apagão e entender tudo que ele está passando. Você fica se perguntando porque, porque, porque, meu Deus, ele não recebe nenhuma ajuda.

No fim, o livro passa a ser sobre como Violet supera a morte dele e como ela sente sua falta. Theodore perde o protagonismo quando o que deveria ter acontecido era totalmente o oposto. Mas gosto da ideia de mostrar diferentes pontos de vistas, o de alguém que superou a depressão e de alguém que, infelizmente, não. É devastador.
[SPOILERS OFF]

Indico muito para todos que estão procurando encontrar (finalmente) algo novo, apesar de continuar na temática “sick-lit”, no gênero juvenil.

Alguém também já leu?
Um beijo.

Diário Literário #4

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Vamos falar das leituras obrigatórias da Fuvest? Vamos!
Então, senta que lá vem textão. Passei praticamente todo o segundo semestre de 2015 acompanhada dessas obras e adorei cada pedacinho. Por isso, resolvi contar um pouco do que achei de cada livro e, quem sabe, ajudar outras pessoas que estão nessa vida de vestibulando.

14. Memórias de um argento de milícias – Manual Antônio de Almeida
O livro conta a história de vida do malandro Leonardinho, o famoso cara que não faz nada de bom, mas que consegue tudo na vida. É muito engraçado e divertido, mas o tom pode ser um pouco difícil de acompanhar (é de 1850, né, gente), então é legal ter uma edição com um bom glossário e muitas notas de rodapé. O enredo é no famoso estilo sessão da tarde “muitas aventuras e altas confusões com muito bom humor”. Eu gostei!

15. Viagens para minha terra – Almeida Garret
Gente… Vamos incluir esse aqui naquele estilo de livros que um vestibulando de 17 anos nunca vai gostar, tá bem? Achei bem chato, e foi um parto para terminar a leitura. A parte mais legalzinha é o conto que tem no meio do livro sobre as desventuras de uma garota típica romântica. O resto é um diário de viagem de um cara bem esnobe. 😦

16. Til – José de Alencar
Graças a Deus trocaram Iracema por Til no ano em que prestei. Amém! Confesso que li Iracema na época do colégio e nem lembro mais da história direito, só lembro que odiei profundamente e peguei birra de José de Alencar desde então. Talvez seja porque eu amadureci (só um pouquinho) desde o colegial, mas adorei Til. E já estou cogitando até dar uma segunda chance para Iracema, que voltou para a lista obrigatória esse ano.

17. Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
Nem preciso falar que Machado de Assis é coisalindadedeus, né? O realismo e o modernismo de 30 sempre foram meus movimentos literários favoritos no colegial, as únicas obras que realmente li no terceiro ano foram Dom Casmurro e Vidas Secas e sou apaixonada por elas até hoje. Você se pergunta por que raios as pessoas gostam tanto de Machado de Assis? Então, leia e descubra o motivo.

18. O cortiço – Aluísio Azevedo
Esse é aquele livro que todo mundo quer ler com 17 anos porque dizem que tem umas ~putarias~, mas aí você começa a ler e acha tudo muito chato e desiste antes da graça começar. Quando você é adolescente quase nunca tem interesse por leitura, principalmente essas de 1800 que são difíceis de entender. Mas o livro é bom e se você buscar entender o contexto e a proposta, vai gostar também.

19. Vidas Secas – Graciliano Ramos
Esse e Capitães da Areia são os mais atuais e presentes na nossa realidade. São livros de denúncia que plantam no seu coração uma sementinha de tristeza e insatisfação com a sociedade. Acho os dois muito importantes para quem é um jovem vestibulando, importantes para abrir sua visão de mundo, te dar um tapa na cara e te tirar do teu próprio umbigo. Fazer você enxergar o mundo com outros olhos, entendendo seus privilégios. Tem gente que acha o capítulo da cachorra Baleia um dos mais tristes, mas para mim o mais marcante foi o segundo capítulo, quando Fabiano questiona sua própria humanidade.

20. Capitães da Areia – Jorge Amado
Esse foi o que mais gostei da lista, talvez meu livro favorito de 2015. Alguns meses atrás eu tinha lido e adorado Trash (falei um pouco dele aqui) e os dois caminhos na mesma linha. Denunciando as condições de crianças abandonadas.
A grande diferença é que os meninos em Trash, apesar de espertos, mantêm sua característica de criança e tratam tudo com leveza e ingenuidade. Já em Capitães da Areia, os meninos dançam entre ser adulto e ser criança. O sentimento que fica é que a infantilidade foi arrancada deles pela vida que levam. O que deixa tudo ainda mais real e triste.

 

Infelizmente, o vestibular chegou antes que eu conseguisse ter tempo (e vontade) de ler “Sentimento do mundo” e “A cidade e as serras”. O primeiro espero ler em breve na faculdade. Sobre o segundo, sempre tive a sensação que escolheram o livro mais chato do Eça de Queiros para colocar na prova, então nunca quis ler. Mas se você já leu algum deles, comenta o que achou para ajudar também os migos que vão prestar vestibular.

Só lembrando que nada aqui foi escrito pensando diretamente no vestibular, é apenas um registro com minha opinião sobre as leituras obrigatórias. Outra coisa, a lista da Fuvest foi atualizada para esse ano, por isso nem todos os livros que falei aqui em cima continuam.

Tenho também outras duas dicas. A primeira é assistir a série de vídeos sobre os livros pedidos pela da Fuvest e Unicamp da youtuber Tatiana Feltrin (veja o primeiro vídeo aqui), vai valer mais que ler apenas os resumos. A segunda dica, é ouvir, também no Youtube, entrevistas feitas para a Rádio USP com professores e pesquisadores da universidade sobre as leituras obrigatórias. Você pode baixar tudo no seu celular e ir ouvindo no transporte público.

É isso. Desculpem o textão, mas tem muita coisa para falar, haha. E muito obrigada se você leu tudo até aqui. Mandem energias positivas para minha nova onda universitária e bom ano de estudos (e boa prova) para quem vai encarar o vestibular esse ano.
Um beijo.

Sobre dar conta do recado

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Então eu resolvi começar outra faculdade. Sem pensar muito, fiz inscrição para prova de bolsa do cursinho. Comecei a rever as matérias do colégio. Aprendi muito. Fiz inscrição no vestibular. Passei. Foi assim que cheguei até aqui.

Falando assim, até parece que foi simples. E foi mesmo. Não quero dizer que entrar na USP é moleza. Só digo que não sofri muito porque não parei para refletir durante o processo sobre passar mais 5 anos na faculdade. Apenas fui lá e fiz. Não me perguntei, nenhuma vez se quer, se eu dou conta do recado. Expressão que aqui quer dizer “conseguir fazer algo que parece difícil demais para você”.

Por outro lado, preferi refletir sobre como a palavra “conta” pode significar tanta coisa. Quer dizer, popularmente falando, além do dar-conta-do-recado, tem o famoso se-dar-conta, que não quer dizer nada mais, nada menos do que “perceber”. Ou o fazer-de-conta, que pode significar fingir, imaginar, mentirinha, simular ou enganar.

Neste contexto, acho que posso formar uma frase assim:
“Me dei conta que posso fazer de conta que dou conta do recado.”
Já deu certo até aqui.

PS.: Sim, entendedores entenderão que eu amo Lemony Snicket. Beijos.
*Imagem tirada por Andreia Lee no dia do trote.

O inevitável não sei

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Comecei o ano sem saber. Assim como nunca soube a minha vida inteira. Lembro que quando era mais nova meu apelido na família era “ah, não sei”. Sempre foi a resposta mais rápida e que saía da minha boca involuntariamente antes mesmo do meu cérebro processar a pergunta.

– Cadê sua mãe?
– Ah, não sei.

– O que você quer de Natal?
– Ah, não sei.

– Onde você guardou aquela blusa?
– Ah, não sei.

– Do que você quer brincar?
– Ah, não sei.

Continuo sem saber e isso nem é uma grande novidade. O novo é que uma das coisas que aprendi em 2015 foi parar de tentar descobrir. Mais do que aceitar sua falta de controle com o acaso, eu decidi apenas parar de ter medo do destino e parar de me culpar por não conseguir decifrá-lo antecipadamente. Tudo isso sem parar de planejar, ou de desejar, ou de me esforçar para que as coisas aconteçam. Não é um “deixa a vida me levar”, mas também não é ficar se corroendo pelo bendito “e se” e pelo medo da escolha errada. Sabe? Não? Nem eu. A graça é essa mesmo.

O que você vai fazer com uma faculdade de letras? Você vai sair da casa da sua mãe? Você vai viajar? O que vamos jantar?

Ah, não sei.
Ainda não consegui descobrir nem do que eu vou querer brincar.

*Imagem: Kathrin Honesta (coisalindadedeus <3)

One Line a Day

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Quarta-feira, ainda não são nem 12h e eu já fiz duas listas.

O fluxo de pensamento foi o seguinte: passei de ônibus por uma agência de viagens e automaticamente listei os próximos 7 lugares para onde eu vou viajar nas minhas próximas 7 férias. Veja bem, isso significa que já defini onde eu vou estar pelos próximos 7 anos. Tudo isso em menos de 50 segundos.

Logo depois, vi um post em um blog que gosto muito com a “TAG 7 Coisas” e tive que segurar meus dedos para que eles não começassem a digitar sozinhos as 7 coisas que eu preciso fazer antes de morrer.

E o 7 pode até parecer um número cabalístico, se não fosse só uma coincidência mesmo. O que realmente importa é que me encontrei na “geração lista”, faço parte daquele grupo de viciados em livros interativos, tags e Buzzfeed. Precisamos listar e fazer planos para entendermos nossos sentimentos e objetivos. Precisamos listar para manter o controle.

O que ninguém nunca me contou foi que os planos quase nunca saem do jeito que colocamos no papel e os livros de One Line a Day ficam completos apenas até a terceira página. Ainda bem.

*Imagem: Pexels